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Brad Delson fala sobre as mudanças de sonoridade e o processo de criação de “One More Light”

Em entrevista à MusicRadar, Brad Delson comenta sobre a constante mudança na sonoridade da banda e o processo de criação do álbum “One More Light”. Confira:

“A mudança entre o último álbum e este, não é uma exceção. Isso é divertido para nós como músicos.”

Vocês tem sete álbuns agora; como o Linkin Park amadurecido de estúdio aborda a composição de um novo álbum?

“Este foi um álbum bem divertido para criar. Nós o criamos em um modo que foi totalmente inverso. Nós tivemos essa ideia; queríamos compor as músicas. Isso pode soar ridículo, pois tudo o que nós escrevemos são músicas, mas eu realmente quero dizer músicas.”

“Nós fizemos muita música durante a nossa carreira que a música tomou o controle. Nesse caso, os sons nos leva pela jornada. Neste álbum nós queríamos compor canções que tivessem algo a ser dito.”

“Outra ideia que tivemos foi em sermos totalmente abertos em termos do nosso estilo de trabalho e tudo mais, de artistas convidados para co-produtores para co-compositores. Qualquer um interessante que nós queríamos encontrar, a gente dava um convite aberto para vir até nós, e desse modo foi um álbum bem divertido de se fazer.”

Julgando por ‘Heavy’, esta é uma gravação bem diferente comparado ao ‘The Hunting Party’…

“O The Hunting Party foi dirigido por pela ferocidade e um desejo em fazer uma declaração estilística. Foi definitivamente planejado em ser agressivo e realmente levado pelos instrumentos em termos de guitarra e bateria.”

“No One More Light, nós escrevemos todas as músicas antes de elas terem qualquer noção de estilo ou contexto. Nós íamos ao estúdio e realmente se perguntava o que estava em nossas mentes e corações, o que nós tínhamos a dizer e o que nós queremos expressar. Quase sempre começava com alguma conversa sobre coisas que estavam acontecendo em nossas vidas que eram bem pessoais.”

“Nós trabalhamos com vocais, letras e melodias primeiro. Nós quase completávamos uma música inteira por dia. Escrevemos em torno de 70 músicas e elas eram todas bem cruas e enxutas.”

“Nós normalmente temos muita música pronta e aí trabalhamos nos vocais depois. Este foi o desafio oposto. Nós tínhamos uma música terminada que amamos e aí tivemos que descobrir qual estilo que ela era. É uma música de rock pesado, é minimalista, é country, é levada pelo eletrônico, ou é tudo isso junto? Eu acho que meu resultado favorito era quando você não conseguia decidir qual estilo ela era; era apenas um híbrido de todos os estilos que nós amamos.”

Um disco como o One More Light te oferece um desafio bem diferente comparado ao The Hunting Party?

“Eu acabei colocando um monte de guitarras nesse álbum. Há um monte de camadas e muitas guitarras diferentes. O trabalho de guitarra é matizado e complementar a todos os outros elementos que colocamos lá.”

“Eu acho que a guitarra é um ingrediente dominante em qualquer sopa. No minuto que eu coloco guitarras pesadas e altas em um arranjo, eu sinto que é uma cor pesada. Uma das metas da produção desse álbum era acabá-lo com nenhuma noção de gênero. Estávamos procurando maneiras de justapor influências que nós temos em modos que você não ouviu antes. Construir o trabalho de guitarra nisso foi um desafio divertido.”

“Eu amo o trabalho de guitarra e os tons que nosso engenheiro Ethan ajudou criar comigo e Mike durante este álbum. Mesmo que você não ouça a guitarra em primeiro plano de um modo pesado, realmente há muita guitarra neste álbum, e eu estou muito orgulhoso disso.”

Você gosta de desafiar as expectativas dos fãs em mudar o estilo de um álbum para outro álbum? Você se preocupa que alguns fãs se sentirão alienados e não irão com vocês nesta nova direção?

“Quando nós nos encontramos Rick Rubin enquanto trabalhávamos em nosso terceiro álbum, uma das primeiras coisas que ele nos perguntou foi sobre o que nós estávamos ouvindo. Foi uma pergunta séria e cada um de nós chegou e disse o que estávamos ouvindo. Ele estava mostrando o ponto que nós somos uma banda e artistas, e nós precisamos fazer qualquer música que nós sentimos inspiração em fazer naquele momento.”

“Eu entendi que seu ponto de vista significava que muitos artistas que tem sucesso comercial podem se sentir prendidos para recriar algo para as expectativas de alguém. Então há artistas que constantemente se reinventam e tem essa coragem. Rick Rubin nos liberou desse modo. Nós pensamos que as pessoas podem esperar a, b ou c de nós, mas o que esperamos para nós mesmos?”

Alguns fãs esperaram que o primeiro single, por se chamar ‘Heavy’, seria uma música grande e pesada…

“Eu entendo isso, com certeza. É quase chocante o quão surpreendente ‘Heavy’ é. Da nossa perspectiva é bem diferente. Nós começamos a escrever essas músicas em Novembro de 2015 e trabalhamos nelas todos os dias até Fevereiro de 2017. Nós temos vivido com elas.”

“Onde quer que a gente já com a nossa música, é sempre muito familiar para a banda mas muito surpreendente para as pessoas ouvirem pela primeira vez. Eu estou animado para que nossos fãs ouçam o álbum inteiro.”

Você co-produziu este álbum, então tendo vivido com essas músicas por tanto tempo, o processo se tornou abrangente pra você?

“É totalmente imersiva. Eu ia ao estúdio às vezes por 10 a 12 horas por dia, todos os dias. Quando nós começamos a fazer música como uma banda, lá no início, nós fazíamos porque nós amamos fazer música e também porque tinha algo específico que nós não estávamos ouvindo ninguém fazendo, e queríamos o fazer esgoísticamente porque queríamos ouví-lo. E essa ainda é a razão pelo qual nós fazemos o que fazemos.”

“Mesmo quando eu dirijo do estúdio para casa, eu estou ouvindo essas canções no carro porque eu quero ouvir essa música.”

A mudança da abordagem musical para este álbum significou grandes mudanças no seu equipamento de frente?

“Eu tinha alguns equipamentos vintage, uma Fender Custom Shop e reedições das Strats que eu usei bastante. Nós usamos algumas Teles antigas… tem uma Jazzmaster que eu usei muito nesse álbum.”

“Nosso engenheiro Ethan passa pelo meticuloso processo de colecionar equipamentos bem legais, e então se eu gosto eu vou tomar dele! Eu tenho a melhor Strat que ele possuía e ele muito generosamente trocou comigo.”

“Ele tem um violão que é incrível. Eu não sei nem a marca ou qualquer coisa dele, mas é meu violão favorito. Eu fiz toda a minha composição nele.”

“Nós tivemos o compositor e produtor Eg White trabalhando conosco por uma semana e ele se apaixonou por esse violão. Ele foi até o Craigslist e achou outro da mesma marca. Ele dirigiu até uma parte desonesta da cidade para pegar esse violão e estava muito animado. E ele o trouxe até, nós descobrirmos que não soava absolutamente nada como o violão do Ethan que estávamos tocando!”

“Ele passou por um processo de tentativa insano de tentar replicar a situação; Eu acho que uma hora ele esfregou uma abóbora nas cordas, mas tudo ficou totalmente errado. E isso só mostra o quanto aquele violão é especial.”

“Em termos de som, nós criamos um tom personalizado para cada música. Foi um processo animado de tentativas e erros para nós chegarmos naqueles tons.”

Há algum ponto em que você acha que a mudança no tato musical complemente no seu trabalho com a guitarra?

“Eu amo o trabalho acústico na ‘Sharp Edges’. Eu realmente gosto de todas as camadas de guitarras na ‘Invisible’ também. Há também uma apresentação realmente única de guitarra em um jeito que eu acho que nós nunca fizemos, em uma música chamada ‘Sorry For Now’. Essa foi uma das coisas que nós realmente ficamos muito animados – é extremamente diferente de qualquer coisa que nós já fizemos.”